Pintora tem seu sonho roubado

Atriz Amy Adams que interpretou Margaret Keane nos cinemas

Poderia ser uma novela em suas criações inusitadas, mas a história do filme “Grandes Olhos” que acabou de estrear no Netflix, é baseada em fatos reais: Margaret Keane é mais uma mulher que foi lesada em sua trajetória e por sorte – diferente de muitas que morreram pobres, anônimas e desiludidas – ainda conseguiu reaver algum brilho inscrevendo-se com alguma relevância na história da arte Americana.
Cartaz do filme de Tim Burton

O próprio Tim Burton, diretor do filme é um dos artistas atuais influenciados por Margaret. Cinquenta anos depois da década citada pelo filme, podemos dar créditos à artista por toda a nossa geração de pintores do pop surrealismo dentre outros movimentos. Também conhecido como LowBrow art, é um movimento popular das artes que inicia a partir de Margaret com toda uma nova geração de artistas cartunistas e ilustradores a partir da década de 70. O fato do emprego da representação figurativa principalmente com as técnicas de pinturas tradicionais e o forte uso da perspectiva, faziam este movimento nadar na contramão do que se esperava de uma arte de vanguarda (que caminhava cada vez mais para a abstração) o que criava o entendimento de que nenhuma instituição de arte as aceitariam e por isso da criação do termo “lowbrow” (arte não-culta). Tal questão já vinha sendo discutida no próprio movimento surrealista, mas este aimda se salvava pelas questões conceituais. Hoje, cinquenta anos mais tarde, já passamos pela pop arte e retornamos a aceitar uma tradição figurativa o que fortaleceu a atual geração de pop surrealistas como o famoso pintor Marc Ryden.

Obra de Marc Ryden
Obra de Margaret Keane

Muitos artistas de street art são confundidos como pintores pop surrealistas e eu que bebo de várias fontes para construir meu trabalho deixo evidente minhas influências do pop surrealismo. Coincidentemente, encontrei uma das obras de Margaret em que pintou siamesas como as que faço muito constantemente hoje. Certamente vou guardar para mim essa ideia de que nos mulheres, mesmo distantes pela geografia, cultura ou tempo, passamos por sentimentos que fazem nos expressar visualmente de formas similares.

Complicated women por Margareth Keane
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