Legalize Já!

Quando eu estava no primeiro ano do antigo segundo grau eu queria ser o Glauco. O Glauco era um rapaz negro, mais velho, bastante popular no colégio. O que me fascinava no Glauco era o poder e a liberdade que ele carregava, por isso, eu queria ser como o Glauco. O Glauco escutava Planet Hemp e por isso, a banda pra mim se tornou sinônimo de avanço.

Eu sabia que o Planet Hemp cantava sobre maconha, e maconha era algo que meus pais não gostavam, logo meus pais não queriam minha emancipação. Queriam que eu continuasse a ser a trouxa, aparelhada que sofria bullying, assim, eu continuaria dependente deles pelo resto da minha vida.

Depois de ver o filme “Legalize Já!” Na pre estreia no Odeon durante o Festival do Rio na última semana, eu entendi que a maconha ali nunca foi o foco, o foco sempre foi a liberdade: ideias que nos tornam seres plenos e completos. 

Quando se repreende a maconha, não estamos reprimindo a droga em si, estamos reprimindo nosso poder de decisão e controle sobre nossas vidas, uma metáfora para pequenas coisas que acontecem em nosso cotidiano e que nos sufocam.

Eu não sou mais aquela menina do ensino médio, e não, não fumo maconha, mas caminho em busca da minha liberdade e de exercer uma vida plena sem que ninguém possa decidir por mim.

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