Lady Grinning Soul, Panmela Castro, 2009, 2’00”

Durante muitos anos de minha vida, pensei em habitar a pele errada: a pele de uma mulher. Para ser aceita por gangs de homens que praticavam pichação e mais tarde, graffiti ilegal, eu me masculinizei: precisava vestir-me como eles, andar como eles, falar como eles. Pensar como eles.

Neste processo entendi que não era necessariamente ser um homem que eu queria, mas o que me seduzia alí, era o poder que enquanto mulher eu nunca poderia ter. E por mais que eu tentasse me masculinizar, o meu corpo denunciava que eu era diferente destes outros que me cercavam, e por isso, ainda que me esforçasse na mimese, eu nunca seria totalmente aceita.

Uma decisão pessoal me levou a romper com a necessidade de ser legitimada por este outro, e em trajes e gestuais hiper femininos, eu ironizei a masculinidade das ações clandestinas da rua, me portando de forma exibida, contrária à todo o aprendizado que me foi imposto neste circuito.

O resultado são fotos e vídeos onde em forma caricata realizo ações de graffiti vandal que não se espera de um corpo com uma performance de gênero feminina, principalmente, visto dos perigos que este ambiente público-marginal traz à este corpo considerado frágil.

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