SuperVia, Panmela Castro, 2010, 2’56”

Até pouco tempo atrás o espaço público era restrito à homens. Ainda hoje posso falar dos perigos da cidade para o corpo feminino. Durante muito tempo eu quiser ser um homem e pensava habitar a pele errada. Para ser aceita e respeitada por gangs de homens, eu tive que me masculinizar: andar como eles, vestir-me como eles e até falar como eles. Em um determinado momento, percebi que o quê eu almejava nunca foi ser um homem, mas sim possuir o poder que eles exibiam e eu como mulher, nunca alcançaria. Que por mais que praticasse a mimese, o fato de eu possuir um corpo feminino, denunciava quem eu era e o meu lugar na casta de poderes.

Subvertendo o papel destinado a mim, troquei minhas vestimentas masculinas por uma indumentária hiper feminina, colorida e com flores; o meu gestual agressivo e cheio de regras masculinas por poses de menina, e assim, coloquei-me em ações masculinas de intervenção ilegal.

O resultado é a série de fotos e vídeos “Lady Grinning Soul” (Dama da Alma Sorridente), inspirada na música de David Bowie.

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