Lourença Correia (Enciclopédia Negra)


Panmela Castro participa do projeto Enciclopédia Negra de Lilia M. Schwarcz, Jaime Lauriano e Flávio Gomes que engloba o livro que pode ser comprado pelo site da editora Companhia das Letras e conferido em exposição com entrada gratuita na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Além das cinco personagens da exposição, a artista pintou outras 17 obras que podem ser vistas e adquiridas na Galeria Luisa Strina, também em São Paulo.

Lourença Correia (Black Encyclopedia)

Panmela Castro participates in the Enciclopédia Negra project by Lilia M. Schwarcz, Jaime Lauriano and Flávio Gomes, which includes the book that can be purchased on the Companhia das Letras publisher’s website and seen in an exhibition with free entrance at the Pinacoteca do Estado de São Paulo.

In addition to the five characters in the exhibition, the artist painted another 17 works that can be seen and purchased at Galeria Luisa Strina in São Paulo.


“Lourença Correia 01”, acrílica sobre tela, 70 x 50 cm, 2020. Foto: Edouard Fraipont
“Lourença Correia 01”, acrylic on canvas, 28 x 20 in, 2020. Image: Edouard Fraipont

Lourença Correia era uma escravizada que morava na cidade do Rio de Janeiro e que trabalhava para o sargento-mor Antônio de Figueira e Almeida, de quem também era concubina. Devido a esta ligação, ela era diariamente castigada pela esposa de seu senhor, Isabel, que, ao mesmo tempo, insistia para que o marido promovesse o casamento da escravizada com algum negro da casa.

Em 1739, Lourença uniu-se ao negro Pedro Benguela, cativo do mesmo sargento. No entanto, e ao que tudo indica, continuou amante de seu senhor, e assim não se livrou das perseguições e castigos da esposa deste.

Não aguentando a pressão, Lourença fugiu para São João do Meriti (RJ), onde se casou com um escravizado chamado Amaro. Foi, porém, acusada de bigamia pelo Santo Ofício, e presa pela instituição em 1745.

Defendeu-se junto ao inquisidor com o argumento de que sua primeira união se dera unicamente pela vontade da esposa de seu senhor, mas não teve sucesso e foi condenada ao degredo em Angola, onde morreu.

EN

Lourença Correia was a slave who lived in the city of Rio de Janeiro and who worked for sergeant-major Antônio de Figueira e Almeida, of whom she was also a concubine. Due to this connection, she was punished daily by her master’s wife, Isabel, who, at the same time, insisted that her husband arrange a marriage of the enslaved woman to some black man in the house.

In 1739, Lourença married Pedro Benguela, a captive of the same sergeant. However, and by all appearances, she remained her master’s lover, and thus did not free herself from the persecutions and punishments of his wife.

Not withstanding the pressure, Lourença fled to São João do Meriti (RJ), where she married an enslaved named Amaro. She was, however, accused of bigamy by the Holy Office, and arrested by the institution in 1745.

She defended herself with the inquisitor arguing that her first union had taken place merely  by the will of her lord’s wife, but she was unsuccessful and was sentenced to an exile in Angola, where she died.

Visitante observando obras de Panmela Castro na Exposição Pinacoteca Negra na Pinacoteca do Estado de São Paulo.
Visitor observing works by Panmela Castro at the Pinacoteca Negra Exhibition at the Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Fontes | References

GOMES, Flávio dos Santos; SCHWARCZ, Lilia Moritz; LAURIANO, Jaime. Enciclopédia Negra: Biografias Afro-Brasileiras. Companhia das Letras, 2021.

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