Vamos Combinar de não nos ferir (Celebrando a ArtRio)

Falando sobre o RACISMO me despeço celebrando o sucesso q foi participar da ArtRio ao lado de minhas alunas, parceiras e equipe.

Ñ q racismo caiba na mesma sentença q celebração mas é q ontem estive muito feliz, e fui minada por uma irmã q me desqualificou.

Sei q todo dia gritamos um “Eu estudei” para a branquitude q nos boicota com seus “achismos”. Mas é q as vezes nem percebemos q estamos gritando com nós mesmas.

Talvez não sejamos tão irmãs, afinal, as experiências com o colorismo nos diferenciam.

Mas enfim, irmã não me diga q estudou para me desqualificar. Na casa dos 40, tenho um extenso currículo q minha simplicidade esconde.

Só de Rede NAMI são 10 anos trabalhando com as pautas decoloniais muito antes da maioria.

Se tivermos em uma feira, fomos destaque na mídia e viralizamos na internet com posts de Taís Araujo à Iza; Se vendemos 80% de nossas obras: Se artistas consagrados nos doaram obras sorrindo; Se estalei três obras de nossas artistas (alunas!), trans, negras para a coleção do MAR; Se colocamos em destaque uma menina com deficiência que agora sabe q é artista: tudo isso foi pq estudei.

E não só estudei artes, gênero e etnia, mas fui reconhecida pelo meu empreendedorismo em nomeações da ONU, Wold Economic Fórum e Folha de São Paulo. Eu estudei Business.

Ainda que eu acredite na sabedoria de quem não teve acesso à educação formal, tive q lançar o bacharelado e o mestrado em artes (UFRJ/UERJ) pra ter alguma legitimação. Me formei em Publicidade e Propaganda na mesma escola de Portinari (Liceu de Artes e ofícios fundado em 1856). Sou pós graduanda em diretos humanos, cidadania global e responsabilidade social com Angela Davis de professora e com quem já jantei ao lado em Princetown.

Não sei se vc sabe mas sou especialista em gestão de empresas de responsabilidade social e políticas afirmativas, entre outras coisas mais.

Amiga tb estou cansada de ter q falar meu currículo pras pessoas acreditarem q eu tenho algum valor. Eu te entendo. Então vamos combinar eu e vc, de não fazer isso entre nós mesmas.

Eu te amo. ❤️

Momento tão lindo de intimidade com o curador Paulo Herkenhoff defendendo o trabalho de minhas artistas e lançando-as na história na coleção do MAR.

📸 Foto de capa: Alunas, parceiras e equipe da Rede NAMI em nossa obra “Luz Negra” da artista Mônica Ventura a partir de frase de Juliana Borges.

Pedido de Socorro

Esse texto foi escrito em caracter de registro e proteção. Também é um texto explicativo, pois estou passando por uma situação bastante humilhante por parte de um homem próximo que alegava meu bem querer. Estou tendo que deixar de frequentar lugares e me isolar socialmente. Hoje esse homem me persegue contando histórias sobre mim de forma que me prejudicam na minha carreira e colocando em cheque minha lucidez e idoneidade. Primeiramente peço que não passem para frente essas histórias e quem tiver presenciado esses comentários e estiver disposta a testemunhar em um boletim de ocorrência por difamação, eu desde já agradeço.

Por séculos mulheres quando se impunham eram chamadas de histérica, neuróticas, treteiras. Na história iam da bruxaria até a loucura, deixando os hospitais psiquiátricos para seguir vendo seu juízo questionado tantas vezes até hoje, em pleno século XXI.

Essas palavras são frequentemente utilizadas para desqualificar reações emocionais legítimas de mulheres como raiva, medo, “desobediência”, reações que são socialmente indesejáveis em mulheres, que devem ser submissas, calmas e pacíficas.

Existe uma tese de 88 sobre “Complexo de Cassandra”: o sofrimento das mulheres que, desmerecidas em seus sentimentos e atos simplesmente por serem mulheres, e consequentemente percebidas como “irracionais” e “histéricas”, não encontram apoio e são desacreditadas quando contam acontecimentos reais pelos quais passaram, ou sintomas que de fato sentem.

É curioso perceber, também, que as mesmas emoções, quando demonstradas por homens, são percebidas de outra forma. Afinal raiva, falar alto, agressividade, imposição física, etc. – são consideradas formas “razoáveis” de se reagir enquanto homem.

Amigas, eu uma mulher que trabalho todos os dias com estas questões, ainda passo todos estes mesmo dias por esta desqualificação das minhas percepções e sentimentos por homens que se dizem contemporâneos e progressistas. Sendo eu, humilhada e perseguida ( a fim de me por no meu lugar) por aqueles que antes diziam me amar, mas que a partir do momento que questiono sua posição, se voltam contra mim de forma extremamente cruel e malígna.

Não sou eu q sou treteira, nem minhas amigas são “pessoas difíceis”, é que a gente ainda vive em um mundo misógino e não aceitamos mais passar por isso.

Pode me mandar pra terapia, pro psiquiatra, pra fogueira ou pro hospício, mais ainda sim, minhas imagens estarão por aí, como um símbolo que nós mulheres iremos resistir.