Exposição A Máquina Lírica

Galeria Luísa Strina, curadoria de Pollyana Quintella, setembro de 2021.

Uma mulher nua de longos cabelos cheios que caminhava na madrugada como uma bruxa logo se tornou lenda folclórica no vilarejo de Olhos D´água em Goiás.

Este conto não se trata de um delírio coletivo de alguns poucos privilegiados que venham a ter flagrado a cena, ou de outros que tenham repetido vê-la para pertencerem à lenda. O delírio aqui é auto-referente e dá nome às quatro fotografias exibidas na exposição “ A Máquina Lírica” de curadoria de Pollyana Quintella apresentada na Galeria Luisa Strina a partir deste setembro de 2021.

Após um ano de isolamento social, eu, que vivo só, decido viver na casa das pessoas e cria a Série Residência. Antes de ir morar no pequeno vilarejo na casa de Lu, mãe de Jandira (ativista social, amiga de longa data, e uma das fundadoras da Rede NAMI)  faço quarentena no Núcleo de Artes do Centro Oeste (NACO).

Sozinha no espaço da residência, produzo uma nova série de Penumbras em um dia de ritual de Lua Cheia. Desdobramento de antigas séries como “Opressão (2009)”, a série Penumbra toma corpo na solitária quarentena de 2020 no ateliê, em experimentações de fotografias de longa exposição.

Penumbra é mais um dos conjuntos de obras que tratam sobre a afetividade da mulher negra, a partir de minhas próprias vivências com o racismo e machismo, sexualização do corpo negro, estigmas, e a realidade de dados do IBGE que mostram que tal prática estrutural lança mulheres negras na pobreza, liderando suas famílias, sem companheiros de longo prazo para ajudar a sustentar a casa (Mulher Negra: Afetividade e Solidão – Pacheco, Ana Cláudia Lemos – 2013).

Apesar de aparentar muitos privilégios hoje, sou de uma geração que teve que abdicar de construir uma família para construir uma carreira e ter o mínimo de qualidade de vida. Afinal, como uma mulher afastada do padrão europeu “para casar”, dificilmente manteria um companheiro para me ajudar com os filhos, e isso me impediria de seguir em minha profissão, me enterrando de vez na falta de privilégios e pobreza.

Ser uma mulher aos quarentas vivendo sozinha isolada durante uma pandemia, apesar dos confortos de poder me manter sem mais dificuldades, não é um privilégio pleno de vida. Assim como ser tachada de Bruxa em uma cidadezinha do interior, reafirma a urgência da necessidade de desestigmatizar corpos como meu. Penumbra é sobre isso, desconstruir seu olhar sexualizado adiante de uma mulher que sofre com a dor de se estar só, entre tantos outros pontos problemáticos que esse conjunto de fotografias escolhidas por Polly tem a pontuar.

A curadora Pollyana Quintella já fazia parte do conjunto de pessoas com que eu me identificava nos pontos de interesses a cerca da arte e visão de sociedade, além de uma ligação intuitiva sobre sua presença como pessoa no mundo. Alinhadas em todos os amplos sentidos que a vida pode ter para nós, foi fácil logo de primeira encontrarmos no conjunto “Culto Auto-Referente” a confluência entre nossos interesses de pesquisa.

Polly pensa para a exposição, a nossa incapacidade frequente de distinguir realidade e ficção (Leia o texto de Poli sobre a exposição). Tipo de deliro que venho atravessado em minhas residências nas casas das pessoas, tentando identificar objetos e situações como sinais e marcos, mas q por fim não passam de delírios de referências, sendo descritos na Wilkpédia como um tipo de fenômeno de um indivíduo que está experimentando coincidências e acreditando que elas têm um forte significado pessoal, uma noção de que tudo o que se percebe no mundo relaciona-se com o próprio destino.

É neste ponto que volto ao debate sobre afetividade e a busca a todo custo por pertencer a algo, e ser amada; onde a rejeição e solidão, me confunde em não conseguir distinguir se meus prejuízos são fruto do preconceito que me cerceia, ou meras situações pessoais.

Esta é apenas uma introdução para muitos desdobramentos de minha produção, que apesar de pessoal, se torna política ao ter milhares de mulheres se identificando e se questionando sobre essas as mesmas sensações e percepções.

A exposição “ A Maquila Lírica” pode ser conferida até o final deste mês que abre a 34ª Bienal de São Paulo – Faz Escuro mas eu canto, e conta com os artistas Anis Yaguar e Sumé Aguiar, Anna Maria Maiolino, Aurelino dos Santos, Brasilandia.co, Chico Tabibuia, Cildo Meireles, Davi de Jesus do Nascimento, Eduardo Basualdo, Jarbas Lopes, Jorge Macchi, Laryssa Machada, Laura Lima, Luiz Alphonsus, Marepe, Panmela Castro, Paulo Pedro Leal, Pedro Escosteguy, Rafael Bqueer, Tadáskía, Thiago Honório, Wagner Olino, Yan Copelli.

Mari katayama: Aonde estão os artistas com Deficiência?

Acompanhamos o desfile dos atletas paraolímpicos, mas é nas artes que eu me pergunto aonde estão os profissionais com deficiência?

Há tempo já planejamos como nossas exposições podem ser inclusivas, mas e o que está sendo exposto? É inclusivo e representativo também?

Assim como nos últimos tempos pensamos na participação de mulheres, negros, indígenas e LGBTQI, porque não estamos pensando a inclusão de artistas com deficiência nessas exposições?

De memória, por tudo o que estudei na história da arte, só me vem a famosa Frida kahlo e o pós impressionista de Toulouse-Lautrec de imediato, e dos museus e galeria nas quais visitei nos últimos anos andarilha pelo mundo, apenas uma artista com deficiência conheci e que por definitivo eu me apoiaxonei.

Marcelle Lender dançando no Bolero em Chilperic, Toulouse-Lautrec (1895)
Autorretrato com o retrato do Doctor Farill, Frida Kahlo (1951)

Essa não é uma história de superação. É a história de vida de mais uma pessoa normal construindo coisas neste mundo. Estudando, trabalhando, casando e, tendo filhos. Conheci Mari katayama em um curso da Daniela Labra e em 2019, tive o emocionate momento único de visitar sua sala durante a Bienal de Veneza, se não, a principal mostra de arte do mundo, certamente a que expõe a tendência para os próximos anos.

E certamente é tendência não fazer pela pessoas com deficiência, mas criar políticas afirmativas e providenciar tecnologias assistivas para que este grupo possa ser autônomo, realizando seus desejos, vivendo com qualidade de vida e ocupando todos os espaços possíveis, incluindo o das artes visuais, seja como produtores, curadores, artistas e outros profissionais.

Mari Katayama “bystander #016” (2016).
Thus I Exist #2 (2015)

Vc conhece quem são essas pessoas da área?

Me conte.

Roots, Panmela Castro, 2008, 10’14

Até pouco tempo atrás o espaço público era restrito à homens. Ainda hoje posso falar dos perigos da cidade para o corpo feminino. Durante muito tempo eu quis ser um homem e pensava habitar a pele errada. Para ser aceita e respeitada por gangs de homens, eu tive que me masculinizar: andar como eles, vestir-me como eles e até falar como eles. O vídeo em questão mostra o período entre 2006 – 2008 e estas minhas raízes no graffiti ilegal.

Em um determinado momento, percebi que o quê eu almejava nunca foi ser um homem, mas sim possuir o poder que eles exibiam e eu como mulher, nunca alcançaria. Que por mais que praticasse a mimese, o fato de eu possuir um corpo feminino, denunciava quem eu era e o meu lugar na casta de poderes. Então logo após este período eu iniciei a série “Lady Grinning Soul” onde subvertendo o papel destinado a mim, troco minhas vestimentas masculinas por uma indumentária hiper feminina, colorida e com flores; e o meu gestual agressivo e cheio de regras masculinas por poses de menina.

Meu encontro com Annie Sprinkle

Gavin Brown’s enterprise é uma boa galeria de Nova York que já recebeu show de artistas que eu gosto muito como Catherine Opie e Alex Katz. Porém até uma semana atrás eu nem sabia que a galeria existia (mesmo eu já seguindo ela no Instagram) até minha amiga Sofia me enviar o seguinte convite.

Eu havia acabado de encerrar uma sequência de dois cursos com a curadora Daniela Labra, um primeiro de performance e um segundo sobre arte fora do cubo e em ambos, ela cita Annie Sprinkle o que me fez vibrar com a possibilidade de encontrá-la.

Annie foi a primeira atriz pornô a dar certo no mundo da arte, construindo uma carreira a nível internacional. Trabalha em diversas mídias para falar sobre seu interesse de que as pessoas obtenham informação sobre seus direitos sexuais e para ajudar nesse objetivo, a artista também se forma com PhD em sexualidade.

No ano de 1992 ela apresenta a performance Public Cervix que veio a ser a sua principal influência em meu trabalho com performances.

Logo que ela chegou na galeria, já fui ao seu encontro me apresentando e iniciando uma conversa com ela e sua companheira Beth Stephens. Ambas foram muito atenciosas e carinhosas: nada mais do que eu poderia esperar de uma pessoa que diz amar as mulheres.

Além das obras de Annie e Beth, a exposição Putting Out conta com outros artistas que falam sobre identidade, trabalho e sexualidade; até 10 de agosto.

Museo Frida Kahlo

Frida é um exemplo da misoginia nas artes. Apesar de ter se tornado uma artista muito mais relevante do que seu companheiro Diego Rivera, Frida teve uma de suas obras adquirida para o acervo do MoMa quase meio século depois da primeira aquisição de Rivera.

Ainda sim, sua arte e história se tornou um grande frenesi no imaginário popular e podemos confirmar este amor na visita à casa que nasceu e morreu na Cidade do México: a casa azul.

A construção em estilo francês demostrava o desejo de sua família – de classe média – pela sofisticação, porém com o casamento com Diego Rivera e a exaltação de seus ideias revolucionários, acoplaram a casa, cores e itens que remetiam as origens indígenas do país, assim como foi com a própria vestimenta de Frida.

A casa azul que hoje é o Museo Frida Kahlo tem fila para entrar, pouco tempo do horário que abrem as portas, uma multidão de gente espalha-se pelos cômodos e jardim, curiosos para ver e saber mais desta mulher que retratou sua vida em pinturas muitas vezes chamadas de surrealistas.

Uma experiência encantadora e única que aconselho para todos os visitantes da cidade amantes das artes.

Legalize Já!

Quando eu estava no primeiro ano do antigo segundo grau eu queria ser o Glauco. O Glauco era um rapaz negro, mais velho, bastante popular no colégio. O que me fascinava no Glauco era o poder e a liberdade que ele carregava, por isso, eu queria ser como o Glauco. O Glauco escutava Planet Hemp e por isso, a banda pra mim se tornou sinônimo de avanço.

Eu sabia que o Planet Hemp cantava sobre maconha, e maconha era algo que meus pais não gostavam, logo meus pais não queriam minha emancipação. Queriam que eu continuasse a ser a trouxa, aparelhada que sofria bullying, assim, eu continuaria dependente deles pelo resto da minha vida.

Depois de ver o filme “Legalize Já!” Na pre estreia no Odeon durante o Festival do Rio na última semana, eu entendi que a maconha ali nunca foi o foco, o foco sempre foi a liberdade: ideias que nos tornam seres plenos e completos. 

Quando se repreende a maconha, não estamos reprimindo a droga em si, estamos reprimindo nosso poder de decisão e controle sobre nossas vidas, uma metáfora para pequenas coisas que acontecem em nosso cotidiano e que nos sufocam.

Eu não sou mais aquela menina do ensino médio, e não, não fumo maconha, mas caminho em busca da minha liberdade e de exercer uma vida plena sem que ninguém possa decidir por mim.

A Misóginia e a Obra Femme Maison para o Frestas

Fui convidada pela pesquisadora Heloisa Buarque de Hollanda para escrever algo sobre a minha obra Femme Maison para sua pesquisa sobre feminismos contemporâneos. Aqui vocês podem conferir o texto:

Entre os anos de 1946 e 1947, a importante artista francesa americana Louise Bourgeois criou a série de pinturas Femme Maison que abordava a questão da identidade feminina. Eu percebo a violência contra as mulheres como um problema de identidade feminina e assim – diante dos alarmantes números brasileiros – mesmo em 2017, ainda uma questão a ser debatida. Apropriando-me deste título, crio o meu primeiro trabalho desta série, construído durante os meses de maio, junho e julho em meu atelier no bairro do Catete e montado em Agosto no Sesc de Sorocaba/SP para o Frestas Trienal de Artes à convite da curadora Daniela Labra.

A madrinha da obra, Clara Averbuck posa comigo para as câmeras dentro da instalação no Sesc.

Nesta primeira obra, eu encomendo para minha mãe a decoração de uma casa de boneca nos moldes do meu antigo quarto no bairro da Penha, suburbio do Rio de Janeiro. Cumprida a missão e instalada a obra, o público pode adentrar no espaço, experimentando apetrechos e se fotografando. Nesta nova série, abordo o ridículo feminino, questionando a obrigatoriedade de certas características femininas para a legitimação do ser enquanto mulher, visto que, acredito na não aceitação de outras/novas possibilidades resulta na violência.
As performances criadas por mim, surgiram a partir das experiências na produção de graffitis pela urbe. Comecei a pensar como obra, não apenas a imagem abandonada nas paredes da cidade, mas como também o processo, em essência a problematização da relação do meu corpo feminino em diálogo com a paisagem urbana e as questões de alteridade. Junto ao convite para a criação da performance Femme Maison para o Frestas, Daniela Labra propôs um mural que depois de algumas pesquisas, foi decidido que seria pintado no Palacete Scarpa, antigo prédio tombado pelo patrimônio histórico municipal e atual sede da Secretaria de Cultura e Turismo da cidade.

Meu graffiti Femme Maison no Palacete Scarpa em Sorocaba

Escolhi para a parede cega do prédio, a imagem de duas mulheres unidas por um terceiro olho adornado pelo o que chamo de Flôr. Flores-vaginas apropriadas da obra de Georgia O’keeffe e muitas vezes dentadas como citado na obra Segundo Sexo de Simone de Beauvoir, são constantes nas minhas representações pelas cidades. Pela primeira vez, essa criação sofreu, ao meu entender, ataques violentos de misoginia: criou-se uma polêmica na mídia, internet, ruas e universidades sobre o fato de haver uma “genitália feminina tamanho gigante pintada em um prédio público tombado”, palavras usadas pelo vereador Pastor Luis Santos (PROS) em sua fala contra o graffiti na câmara dos vereadores.
Voltando à minha ideia inicial sobre a questão da identidade feminina, e a existência de limitações em relação à mulher ainda no século XXI; quando a mulher propõe características que não são consideradas próprias desta, há um estranhamento, rejeição e em muitos casos, a violência como no linchamento virtual do graffiti do Palacete Scarpa. Enquanto desde pequenos os meninos são encorajados a exibir o pinto mijando na rua, ou mostrando o quanto cresceu para suas tias, percebendo-o como sua ferramenta de orgulho e poder, nós meninas somos alvos de críticas obrigando a nos esconder fechando as pernas, deixando de nos tocar e nos fazendo sentir envergonhadas de nossa parte que sequer pode falada: a buceta.
Na minha primeira visita à Sorocaba em busca da locação para o graffiti, uma das coisas que conheci foi um pelourinho que em seu formato fálico parece não incomodar ninguém, até porque, penso eu, além de celebrar o poder deste membro, reafirma a soberania do homem (branco) sobre todos nós. Neste sentido, colocar uma vagina em uma situação central, é como dar um poder inadmissível para as mulheres, esquecendo a vergonha sugerida em seu corpo. Pura misoginia.
Ao final, o vereador Pastor, após usar minutos para expor sua opinião de forma desrespeitosa sobre a minha obra na câmara, entrou com um requerimento no ministério público para que a mesma fosse apagada e solicitou na imprensa que eu me retratasse.
Acredito que o graffiti Femme Maison de Sorocaba, acabou por cumprir o seu papel fazendo toda uma cidade refletir acerca da mulher em nossa sociedade, dando visibilidade às dificuldades que enfrentamos em nosso dia a dia, e que ficam veladas, de difícil conversa, ridicularizadas e desqualificadas, mas que aqui pulsou pela arte.

Pintora tem seu sonho roubado

Atriz Amy Adams que interpretou Margaret Keane nos cinemas

Poderia ser uma novela em suas criações inusitadas, mas a história do filme “Grandes Olhos” que acabou de estrear no Netflix, é baseada em fatos reais: Margaret Keane é mais uma mulher que foi lesada em sua trajetória e por sorte – diferente de muitas que morreram pobres, anônimas e desiludidas – ainda conseguiu reaver algum brilho inscrevendo-se com alguma relevância na história da arte Americana.
Cartaz do filme de Tim Burton

O próprio Tim Burton, diretor do filme é um dos artistas atuais influenciados por Margaret. Cinquenta anos depois da década citada pelo filme, podemos dar créditos à artista por toda a nossa geração de pintores do pop surrealismo dentre outros movimentos. Também conhecido como LowBrow art, é um movimento popular das artes que inicia a partir de Margaret com toda uma nova geração de artistas cartunistas e ilustradores a partir da década de 70. O fato do emprego da representação figurativa principalmente com as técnicas de pinturas tradicionais e o forte uso da perspectiva, faziam este movimento nadar na contramão do que se esperava de uma arte de vanguarda (que caminhava cada vez mais para a abstração) o que criava o entendimento de que nenhuma instituição de arte as aceitariam e por isso da criação do termo “lowbrow” (arte não-culta). Tal questão já vinha sendo discutida no próprio movimento surrealista, mas este aimda se salvava pelas questões conceituais. Hoje, cinquenta anos mais tarde, já passamos pela pop arte e retornamos a aceitar uma tradição figurativa o que fortaleceu a atual geração de pop surrealistas como o famoso pintor Marc Ryden.

Obra de Marc Ryden
Obra de Margaret Keane

Muitos artistas de street art são confundidos como pintores pop surrealistas e eu que bebo de várias fontes para construir meu trabalho deixo evidente minhas influências do pop surrealismo. Coincidentemente, encontrei uma das obras de Margaret em que pintou siamesas como as que faço muito constantemente hoje. Certamente vou guardar para mim essa ideia de que nos mulheres, mesmo distantes pela geografia, cultura ou tempo, passamos por sentimentos que fazem nos expressar visualmente de formas similares.

Complicated women por Margareth Keane

Georgea O’keeffe no Brooklyn Museum

Logo que cheguei de Nova York eu assisti no Netflix um filme sobre a pintora Margaret keane que passou dez anos escondida enquanto seu marido ganhava os créditos de suas obras. Em uma breve passagem quando ele tenta justificar que mulheres não ganhavam reconhecimento como pintora, Margaret cita O’keeffe como exemplo contraditório. E realmente, na década de cinquenta quando esse diálogo aconteceu, O’keeffe já há muito era considerada a maior pintora norte-americana do século XX. O século acabou e ela continuou em seu pódio. E mesmo depois do tempo dobrado, no final do século quando eu ainda era uma adolescente e matava aula para passear em museus, O’keeffe continuava a influenciar jovens artistas como eu.

Apesar da lembrança distante, posso ter certeza de que se tratava de tal artista por muito anos ter guardado o catálogo da exposição com grandes flores que insinuavam formatos de órgãos femininos e que vieram a influênciar, anos mais tarde, minha produção com as flores-vaginas.

O’keeffe que considerava sua vestimenta uma forma de expressão no mundo, ganhou essa adorável exposição no Brooklyn Museum na qual eu tive o privilégio de visitar, e mais uma vez em minha vida, me deixar influenciar por sua obra, já que vestidos também são pauta da minha pesquisa de arte. Na exposição fica explicado que as linhas do corte da vestimenta eram as mesmas linhas que reproduzia em suas pinturas, e suas poses para as câmeras exibiam uma personalidade que valorizava esta apresentação publica. É como uma necessidade de dizer quem é, uma busca pela auto afirmação que depende dessa relação com o outro. Uma relação de auteridade.

Seleção de 06 Master Pieces no MoMa

Durante minha última visita ao Museu de Arte Moderna de Nova York eu fotografei seis obras que os visitantes desse Museu que possuí uma das coleções do mundo não podem deixar de conferir.

The Starry Night, Van Gogh

É neste período que Van Gogh rompe com o impressionismo desenvolvendo um estilo bastante particular. Podemos também destacar está obra por ter sido pintada de cabeça ao contrário da maior parte de sua produção que era feita com a observação direta da paisagem.

Les demoiselles d’Avignon, Picasso

Pessoalmente guardo grande carinho por esta obra pois das três vezes que prestei prova para o mestrado da UERJ, na primeira, a pergunta da prova era sobre a importância dessa obra para a história da arte. Essa obra ficou anos largada no atelier do Picasso até que alguém a comprou. Ela foi a divisora de águas do século XX abrindo espaço para o movimento cubista e assim, pintura abstrata que até então, não existia.

Dance, Matisse

Por conta do seu tamanho monumental e o choque que se toma ao vê-la, achei que está obra a priori decorativa de Matisse não poderia fugir desta lista.

Water lilies, Monet

Water lilies foi uma série de mais de 250 telas de Monet que ilustravam essa paisagem de flores d’Água que com o passar dos anos e seu problema de vista foram ficando cada vez mais distorcidas abrindo as portas para o expressionismo abstrato.

Retrato de Frida kahlo

Porquê qualquer retrato de Frida Kahlo é relevante para a história da humanidade.

Pollock number 31

Porquê é uma das maiores pinturas do Pollock q você vai conseguir ver.

Visita à Exposição de Rauschenberg no MoMa

Em minha visita à exposição do Rauschenberg em Nova York pude entender o desdobramento de sua arte iniciando com pinturas consideradas expressionismo abstrato e que, com experimentações (como a que apaga um desenho de Kooning) e influências dadaístas começa a inserir massas de tintas cada vez mais pesadas e objetos que eliminam os limites entre arte e vida, o resultado é o primeiro passo para o que chamamos de Pop Arte hoje.

Aqui a pintura torna-se tridimensional.
De tempos em tempos a banheira borbulha, uma obra que previa o q chamamos hoje de arte contemporânea

As “combinações” de Rauschenberg também possuem influência do movimento surrealista

Seu expressionismo abstrato começa a ganhar volume
Colagem aleatória de palavras inspirada no movimento dadaista