Poema para o príncipe

Eu quero um príncipe que seja muito mais do que um pensamento morno sobre coisas as quais eu já sei.

Eu quero um príncipe desobediente que ponha em risco a senhora que sou em um tipo de surto desorganizado de minhas pequenas coisinhas.

Eu quero um príncipe que me deixe descobrir que a vida nunca foi o que me disseram viver.

Eu quero um príncipe que me dirija à um mundo de epifania e momentos de catarse que definitivamente mudem quem eu sou.

Um príncipe que mude meu juízo de valor.

O meu príncipe é amarelo como um sol que me faz girar ao redor e me sufoca as palavras, só restando a única que sei dizer: tão lindo. Sensacional.

Eis um poema triste de amor.

Pedido de Socorro

Esse texto foi escrito em caracter de registro e proteção. Também é um texto explicativo, pois estou passando por uma situação bastante humilhante por parte de um homem próximo que alegava meu bem querer. Estou tendo que deixar de frequentar lugares e me isolar socialmente. Hoje esse homem me persegue contando histórias sobre mim de forma que me prejudicam na minha carreira e colocando em cheque minha lucidez e idoneidade. Primeiramente peço que não passem para frente essas histórias e quem tiver presenciado esses comentários e estiver disposta a testemunhar em um boletim de ocorrência por difamação, eu desde já agradeço.

Por séculos mulheres quando se impunham eram chamadas de histérica, neuróticas, treteiras. Na história iam da bruxaria até a loucura, deixando os hospitais psiquiátricos para seguir vendo seu juízo questionado tantas vezes até hoje, em pleno século XXI.

Essas palavras são frequentemente utilizadas para desqualificar reações emocionais legítimas de mulheres como raiva, medo, “desobediência”, reações que são socialmente indesejáveis em mulheres, que devem ser submissas, calmas e pacíficas.

Existe uma tese de 88 sobre “Complexo de Cassandra”: o sofrimento das mulheres que, desmerecidas em seus sentimentos e atos simplesmente por serem mulheres, e consequentemente percebidas como “irracionais” e “histéricas”, não encontram apoio e são desacreditadas quando contam acontecimentos reais pelos quais passaram, ou sintomas que de fato sentem.

É curioso perceber, também, que as mesmas emoções, quando demonstradas por homens, são percebidas de outra forma. Afinal raiva, falar alto, agressividade, imposição física, etc. – são consideradas formas “razoáveis” de se reagir enquanto homem.

Amigas, eu uma mulher que trabalho todos os dias com estas questões, ainda passo todos estes mesmo dias por esta desqualificação das minhas percepções e sentimentos por homens que se dizem contemporâneos e progressistas. Sendo eu, humilhada e perseguida ( a fim de me por no meu lugar) por aqueles que antes diziam me amar, mas que a partir do momento que questiono sua posição, se voltam contra mim de forma extremamente cruel e malígna.

Não sou eu q sou treteira, nem minhas amigas são “pessoas difíceis”, é que a gente ainda vive em um mundo misógino e não aceitamos mais passar por isso.

Pode me mandar pra terapia, pro psiquiatra, pra fogueira ou pro hospício, mais ainda sim, minhas imagens estarão por aí, como um símbolo que nós mulheres iremos resistir.