Mari katayama: Aonde estão os artistas com Deficiência?

Acompanhamos o desfile dos atletas paraolímpicos, mas é nas artes que eu me pergunto aonde estão os profissionais com deficiência?

Há tempo já planejamos como nossas exposições podem ser inclusivas, mas e o que está sendo exposto? É inclusivo e representativo também?

Assim como nos últimos tempos pensamos na participação de mulheres, negros, indígenas e LGBTQI, porque não estamos pensando a inclusão de artistas com deficiência nessas exposições?

De memória, por tudo o que estudei na história da arte, só me vem a famosa Frida kahlo e o pós impressionista de Toulouse-Lautrec de imediato, e dos museus e galeria nas quais visitei nos últimos anos andarilha pelo mundo, apenas uma artista com deficiência conheci e que por definitivo eu me apoiaxonei.

Marcelle Lender dançando no Bolero em Chilperic, Toulouse-Lautrec (1895)
Autorretrato com o retrato do Doctor Farill, Frida Kahlo (1951)

Essa não é uma história de superação. É a história de vida de mais uma pessoa normal construindo coisas neste mundo. Estudando, trabalhando, casando e, tendo filhos. Conheci Mari katayama em um curso da Daniela Labra e em 2019, tive o emocionate momento único de visitar sua sala durante a Bienal de Veneza, se não, a principal mostra de arte do mundo, certamente a que expõe a tendência para os próximos anos.

E certamente é tendência não fazer pela pessoas com deficiência, mas criar políticas afirmativas e providenciar tecnologias assistivas para que este grupo possa ser autônomo, realizando seus desejos, vivendo com qualidade de vida e ocupando todos os espaços possíveis, incluindo o das artes visuais, seja como produtores, curadores, artistas e outros profissionais.

Mari Katayama “bystander #016” (2016).
Thus I Exist #2 (2015)

Vc conhece quem são essas pessoas da área?

Me conte.

Georgea O’keeffe no Brooklyn Museum

Logo que cheguei de Nova York eu assisti no Netflix um filme sobre a pintora Margaret keane que passou dez anos escondida enquanto seu marido ganhava os créditos de suas obras. Em uma breve passagem quando ele tenta justificar que mulheres não ganhavam reconhecimento como pintora, Margaret cita O’keeffe como exemplo contraditório. E realmente, na década de cinquenta quando esse diálogo aconteceu, O’keeffe já há muito era considerada a maior pintora norte-americana do século XX. O século acabou e ela continuou em seu pódio. E mesmo depois do tempo dobrado, no final do século quando eu ainda era uma adolescente e matava aula para passear em museus, O’keeffe continuava a influenciar jovens artistas como eu.

Apesar da lembrança distante, posso ter certeza de que se tratava de tal artista por muito anos ter guardado o catálogo da exposição com grandes flores que insinuavam formatos de órgãos femininos e que vieram a influênciar, anos mais tarde, minha produção com as flores-vaginas.

O’keeffe que considerava sua vestimenta uma forma de expressão no mundo, ganhou essa adorável exposição no Brooklyn Museum na qual eu tive o privilégio de visitar, e mais uma vez em minha vida, me deixar influenciar por sua obra, já que vestidos também são pauta da minha pesquisa de arte. Na exposição fica explicado que as linhas do corte da vestimenta eram as mesmas linhas que reproduzia em suas pinturas, e suas poses para as câmeras exibiam uma personalidade que valorizava esta apresentação publica. É como uma necessidade de dizer quem é, uma busca pela auto afirmação que depende dessa relação com o outro. Uma relação de auteridade.

Seleção de 06 Master Pieces no MoMa

Durante minha última visita ao Museu de Arte Moderna de Nova York eu fotografei seis obras que os visitantes desse Museu que possuí uma das coleções do mundo não podem deixar de conferir.

The Starry Night, Van Gogh

É neste período que Van Gogh rompe com o impressionismo desenvolvendo um estilo bastante particular. Podemos também destacar está obra por ter sido pintada de cabeça ao contrário da maior parte de sua produção que era feita com a observação direta da paisagem.

Les demoiselles d’Avignon, Picasso

Pessoalmente guardo grande carinho por esta obra pois das três vezes que prestei prova para o mestrado da UERJ, na primeira, a pergunta da prova era sobre a importância dessa obra para a história da arte. Essa obra ficou anos largada no atelier do Picasso até que alguém a comprou. Ela foi a divisora de águas do século XX abrindo espaço para o movimento cubista e assim, pintura abstrata que até então, não existia.

Dance, Matisse

Por conta do seu tamanho monumental e o choque que se toma ao vê-la, achei que está obra a priori decorativa de Matisse não poderia fugir desta lista.

Water lilies, Monet

Water lilies foi uma série de mais de 250 telas de Monet que ilustravam essa paisagem de flores d’Água que com o passar dos anos e seu problema de vista foram ficando cada vez mais distorcidas abrindo as portas para o expressionismo abstrato.

Retrato de Frida kahlo

Porquê qualquer retrato de Frida Kahlo é relevante para a história da humanidade.

Pollock number 31

Porquê é uma das maiores pinturas do Pollock q você vai conseguir ver.

Visita à Exposição de Rauschenberg no MoMa

Em minha visita à exposição do Rauschenberg em Nova York pude entender o desdobramento de sua arte iniciando com pinturas consideradas expressionismo abstrato e que, com experimentações (como a que apaga um desenho de Kooning) e influências dadaístas começa a inserir massas de tintas cada vez mais pesadas e objetos que eliminam os limites entre arte e vida, o resultado é o primeiro passo para o que chamamos de Pop Arte hoje.

Aqui a pintura torna-se tridimensional.
De tempos em tempos a banheira borbulha, uma obra que previa o q chamamos hoje de arte contemporânea

As “combinações” de Rauschenberg também possuem influência do movimento surrealista

Seu expressionismo abstrato começa a ganhar volume
Colagem aleatória de palavras inspirada no movimento dadaista