Capitalismo, Mãe Terra, e minha participação na cerimônia de toca do Sino de Abertura da Bolsa de Nova York

Meu #TBT de hj não sei se é ruim ou é bom. Mas na ocasião de um prêmio de direitos humanos que ganhei em NY, em 2010, por ironia fui convidada a participar da cerimônia da toca do sino de abertura da Bolsa de NY. Sou essa menina do canto, que está meio sem entender o que acontece ali.

Hoje eu sei.

Estava lá, logo neste espaço do dinheiro e capitalismo, símbolo da opressão do homem e que faz do acesso aos direitos básicos um produto possível apenas com a compra via capital.

Afinal, mesmo com todos os preconceitos, uma vez q vc hackeia a lógica e ascende, ganha uma notoriedade como dos rappers americanos, com passabilidade e possibilidade de transitar sem barreiras.

Não que o homem não fosse opressor por natureza, já que oprimimos o meio ambiente muito antes do próprio capitalismo.

Nos tornamos racionais e dominamos o tempo, as águas e a terra que antes nos minguavam, e no qual começamos a matar, ao invés de apenas afastar as possibilidades de morte e conviver em uma harmonia sustentável.

Parece que nossa maior guerra nunca foi tanto entre nós próprios, mas sempre contra a nossa própria mãe terra provedora, que agora com as mudanças climáticas e o fortalecimento de vírus, nos coloca de volta em nosso lugar medíocre em front ao sublime que é o planeta.

A história dos vencedores mostraram que todo esse tempo, muito mais do que proteção para todos os humanos, foi explorado o poder para luxo de alguns e acúmulo de riquezas não partilharas. Segundo a ONU, apesar da tecnologia nos prover tudo o q precisamos, 30% da população vive em insegurança alimentar.

A terra já foi assassinada por esses humanos no poder e reage em seus últimos suspiros. A minha esperança é que nos próximos anos, nós – os outros – possamos nos revoltar, assumir nosso poder, e sob uma perspectiva diferente, possamos fazer a gira, realinhar os chakras da terra e a salvar, nos salvando também tudo junto.

Quem vem comigo?

Meu encontro com Annie Sprinkle

Gavin Brown’s enterprise é uma boa galeria de Nova York que já recebeu show de artistas que eu gosto muito como Catherine Opie e Alex Katz. Porém até uma semana atrás eu nem sabia que a galeria existia (mesmo eu já seguindo ela no Instagram) até minha amiga Sofia me enviar o seguinte convite.

Eu havia acabado de encerrar uma sequência de dois cursos com a curadora Daniela Labra, um primeiro de performance e um segundo sobre arte fora do cubo e em ambos, ela cita Annie Sprinkle o que me fez vibrar com a possibilidade de encontrá-la.

Annie foi a primeira atriz pornô a dar certo no mundo da arte, construindo uma carreira a nível internacional. Trabalha em diversas mídias para falar sobre seu interesse de que as pessoas obtenham informação sobre seus direitos sexuais e para ajudar nesse objetivo, a artista também se forma com PhD em sexualidade.

No ano de 1992 ela apresenta a performance Public Cervix que veio a ser a sua principal influência em meu trabalho com performances.

Logo que ela chegou na galeria, já fui ao seu encontro me apresentando e iniciando uma conversa com ela e sua companheira Beth Stephens. Ambas foram muito atenciosas e carinhosas: nada mais do que eu poderia esperar de uma pessoa que diz amar as mulheres.

Além das obras de Annie e Beth, a exposição Putting Out conta com outros artistas que falam sobre identidade, trabalho e sexualidade; até 10 de agosto.

Radical Women: Latin American Art 1960 a 1985”

Abriu semana passada no Brooklyn Museum a exposição “Radical Women: Latin American Art 1960 a 1985” com obras de 123 artistas mulheres de 15 diferentes países das Américas. São artistas que têm com foco o uso de seus corpos para uma crítica política e social. O destaque da exposição vai para as 23 Brasileiras participantes como Wanda Pimentel, Lygia Clark, Anna Bella Geiger, Leonora de Barros e Anna Maria Maiolino.

Veja mais no site do museu:

https://www.brooklynmuseum.org/exhibitions/radical_women

Georgea O’keeffe no Brooklyn Museum

Logo que cheguei de Nova York eu assisti no Netflix um filme sobre a pintora Margaret keane que passou dez anos escondida enquanto seu marido ganhava os créditos de suas obras. Em uma breve passagem quando ele tenta justificar que mulheres não ganhavam reconhecimento como pintora, Margaret cita O’keeffe como exemplo contraditório. E realmente, na década de cinquenta quando esse diálogo aconteceu, O’keeffe já há muito era considerada a maior pintora norte-americana do século XX. O século acabou e ela continuou em seu pódio. E mesmo depois do tempo dobrado, no final do século quando eu ainda era uma adolescente e matava aula para passear em museus, O’keeffe continuava a influenciar jovens artistas como eu.

Apesar da lembrança distante, posso ter certeza de que se tratava de tal artista por muito anos ter guardado o catálogo da exposição com grandes flores que insinuavam formatos de órgãos femininos e que vieram a influênciar, anos mais tarde, minha produção com as flores-vaginas.

O’keeffe que considerava sua vestimenta uma forma de expressão no mundo, ganhou essa adorável exposição no Brooklyn Museum na qual eu tive o privilégio de visitar, e mais uma vez em minha vida, me deixar influenciar por sua obra, já que vestidos também são pauta da minha pesquisa de arte. Na exposição fica explicado que as linhas do corte da vestimenta eram as mesmas linhas que reproduzia em suas pinturas, e suas poses para as câmeras exibiam uma personalidade que valorizava esta apresentação publica. É como uma necessidade de dizer quem é, uma busca pela auto afirmação que depende dessa relação com o outro. Uma relação de auteridade.

Seleção de 06 Master Pieces no MoMa

Durante minha última visita ao Museu de Arte Moderna de Nova York eu fotografei seis obras que os visitantes desse Museu que possuí uma das coleções do mundo não podem deixar de conferir.

The Starry Night, Van Gogh

É neste período que Van Gogh rompe com o impressionismo desenvolvendo um estilo bastante particular. Podemos também destacar está obra por ter sido pintada de cabeça ao contrário da maior parte de sua produção que era feita com a observação direta da paisagem.

Les demoiselles d’Avignon, Picasso

Pessoalmente guardo grande carinho por esta obra pois das três vezes que prestei prova para o mestrado da UERJ, na primeira, a pergunta da prova era sobre a importância dessa obra para a história da arte. Essa obra ficou anos largada no atelier do Picasso até que alguém a comprou. Ela foi a divisora de águas do século XX abrindo espaço para o movimento cubista e assim, pintura abstrata que até então, não existia.

Dance, Matisse

Por conta do seu tamanho monumental e o choque que se toma ao vê-la, achei que está obra a priori decorativa de Matisse não poderia fugir desta lista.

Water lilies, Monet

Water lilies foi uma série de mais de 250 telas de Monet que ilustravam essa paisagem de flores d’Água que com o passar dos anos e seu problema de vista foram ficando cada vez mais distorcidas abrindo as portas para o expressionismo abstrato.

Retrato de Frida kahlo

Porquê qualquer retrato de Frida Kahlo é relevante para a história da humanidade.

Pollock number 31

Porquê é uma das maiores pinturas do Pollock q você vai conseguir ver.

Visita à Exposição de Rauschenberg no MoMa

Em minha visita à exposição do Rauschenberg em Nova York pude entender o desdobramento de sua arte iniciando com pinturas consideradas expressionismo abstrato e que, com experimentações (como a que apaga um desenho de Kooning) e influências dadaístas começa a inserir massas de tintas cada vez mais pesadas e objetos que eliminam os limites entre arte e vida, o resultado é o primeiro passo para o que chamamos de Pop Arte hoje.

Aqui a pintura torna-se tridimensional.
De tempos em tempos a banheira borbulha, uma obra que previa o q chamamos hoje de arte contemporânea

As “combinações” de Rauschenberg também possuem influência do movimento surrealista

Seu expressionismo abstrato começa a ganhar volume
Colagem aleatória de palavras inspirada no movimento dadaista